Galera, não são de minha autoria, mas são muito fofinhos e engraçadinhos, vale a pena conferir ^^
"Neste blog escrevo apenas o que vem à mente da forma mais compacta possível, mesmo porque os pensamentos são muito extensos e complicados. Mas nem tudo escrito vem de mim... muitas coisas são adaptadas ou até mesmo copiadas, afim de representar as ideias e os momentos vividos. Sobre as fontes de inspiração, são diversas, mas as mais importantes e constantes são aqueles sentimentos que nos fazem querer compartilhar as alegrias com o resto do mundo. Vocês que estão lendo são o meu mundo..."
terça-feira, 31 de maio de 2011
O homem que contava histórias
Era uma vez um homem que, cansado de ver as pessoas de sua cidade sempre tensas, angustiadas e tristes, resolveu fazer algo por elas.
Como sabia de cor lindas histórias, sentou-se num banquinho no meio da praça e pôs-se a contar e a contar...
...e assim o contador de histórias passava seus dias...
A princípio, algumas pessoas paravam para ouvi-lo, curiosas. Mas só ficavam um pouquinho, pois tinham muita pressa, seu tempo era tão curto!
Mesmo assim, o homem não desistia: todos os dias, punha o seu banquinho na praça e contava as suas histórias repletas de fantasia.
O tempo passou...
Um dia, o contador de histórias narrava, para uma platéia inexistente, uma maravilhosa fábula, quando um garotinho, puxando-o pela manga, interrompeu-o:
_ Ei, Tio! Será que você não percebeu que não tem ninguém ouvindo? Por que você insiste em contar essas histórias?
Então, o sábio homem respondeu:
_ Olhe, meu filho, antes eu contava histórias pensando em mudar o mundo. Hoje, eu conto histórias para que o mundo não me mude...
[Tradição judaica]
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Quarto de Moça
Alguém me fala do apartamento em que você morou em Paris, em uma pequena praça cheia de árvores; outra pessoa esteve em sua casa de Nápoles; eu me calo. Mas, eu conheci seu quarto de solteira. Era pequeno, gracioso e azul; ou é a distância que o azula na minha lembrança? Junto à janela havia uma grande amendoeira antiga; às vezes o vento levava para dentro uma grande folha cor de cobre - gentileza da amendoeira. Que tinha outras: pássaros, quase sempre pardais, às vezes um tico-tico, ou uma rolinha, ou um casal de sanhaços azulados. E no verão, como as cigarras ziniam! Lembro o armário escuro e simples, onde cabiam seus vestidos de solteira, que não eram muitos; e lembro alguns deles, um roxinho singelo, um estampado alegre, de flores, um outro de linho grosso, cor de areia. Havia uma pequena estante; e, entre os livros, o meu primeiro livro, com uma dedicatória tímida. Na parede, uma fotografia, uma imagem de santa, e uma reprodução de Piero della Francesa, não era?
Era simples, seu quarto de menina e de moça; mas tinha uma graça leve e singela, e você o amava. Dali partiu para tantas outras casas e hotéis em outras cidades do mundo, e um dia soube que haviam derrubado sua casa. Contaram-me, achando graça, você chorou quando teve a notícia, chorou como se tivesse perdido pai ou mãe, alguém muito querido. Contaram-me, achando graça - e eu não disse nada, mas me comovi.
Nossa amizade se perdeu no acaso das viagens; outros homens sabem muito mais sobre você, viveram sua alegria e seu sofrimento; de mim você terá apenas uma lembrança distante e, espero, boa. Mas, se um você se sentisse vazia e sem apoio, e achasse as coisas tão sem sentido, imagino que você gostaria que eu reconstruisse no ar, como um presente um presente para proteger e embalar você, o seu pequeno quarto azul que não existe mais.
Conheci seu quarto de solteira; lembro a cama, o armário, a estante, a cômoda, a mesinha, o abajur e o grande espelho. O grande espelho onde às vezes, ainda mocinha, vinda do banho, você se olhava demoradamente - pensativamente - nua.
Setembro, 1959.
Rubem Braga
sexta-feira, 20 de maio de 2011
E tudo permaneceria ...

Ah, como eu gostaria de te abraçar, te beijar e poder sentir o seu calor. Ficar juntinho ao pôr do sol sob a sombra de uma árvore. No silêncio que fala por nós e nos une. Na noite que chega com a brisa e o frio de um sol que apenas ilumina o horizonte. Observando as nuvens que se tingem no céu das mais variadas cores...
E tudo... vivo em mim...
quarta-feira, 11 de maio de 2011
O Amor e a Loucura
*... Jean de La Fontaine ...*
No Amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna.
Mas por que o amor é cego?
Aconteceu que num certo dia o Amor e a Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão. Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis _ a deusa da vingança _ e de todos os juízes do inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego.
Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia ao Amor.
Texto tirado do livro: "Os melhores contos de loucura" de Flávio Moreira da Costa.
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